Os Excluídos na Constelação Familiar Sistêmica

Bert Helinger, psicoterapeuta alemão, inventor das Constelações familiares descobriu ao longo de 30 anos de trabalho, de maneira determinada, séria e devotada, uma série de leis ocultas que atuam sobre as pessoas, grupos, famílias e até nações.


A primeira lei se refere ao Pertencimento: Todos têm o igual direito de pertencer.

A segunda lei se refere ao equilíbrio entre dar e receber.

A terceira lei a Hierarquia: os mais antigos vêm primeiro e na seqüência os mais novos.

Através da aplicação da terapia das Constelações familiares, que ele desenvolveu ao longo de anos sobre o funcionamento de casais, famílias, empresas, comunidades e países, o terapeuta alemão chegou à conclusão que todo grupo funciona como um organismo vivo que se autorregula para permitir que sobreviva ao longo do tempo.


Falarei sobre “Ordem do Pertencer” ou seja, Todos têm o igual direito de pertencer.


Isso significa que não importa o que uma pessoa faça que seja julgado como “condenável”, “pecaminoso”, “reprovável” ou “errado”, ela continuará tendo o direito de pertencer ao sistema familiar. Isso não significa que ela esteja isenta de repreensões, restrições e até de punições legais, mas apesar de tudo, ela continuará com o mesmo direito de pertencer a sua família. As atitudes dessa pessoa podem diminuir sua credibilidade, confiabilidade e até sua proximidade, perante a família, mas nunca o seu pertencimento.


Por exemplo, se um indivíduo comete um crime e isso causa uma vergonha entre os seus familiares, ele vai preso, cumpre sua pena, sai da prisão e, muitas vezes, passa a morar afastado de seus familiares. As pessoas passam a não comentar sobre o acontecido, evitam falar do passado e tentam apagar da história da família aquele membro. Ele se transforma em um ser inconveniente e uma “vergonha moral” para a família.


No entanto, essa “ordem” demonstra que quando um membro de uma família é visto dessa maneira e é excluído pelos demais, essa situação cria um efeito colateral em todo sistema familiar.


A lei do pertencimento atua drasticamente fazendo com que esse membro do grupo seja incluído novamente de um jeito ou de outro, esteja ele vivo ou não.

Normalmente, percebe-se que esse comportamento reprovável, reaparece em alguma das gerações seguintes em forma de sintomas em alguns membros: filhos, netos, ou bisnetos por exemplo, sem que eles entendam o que está acontecendo. Ou também, na forma de um problema de relacionamento entre membros como irmãos ou um casal.


Essa ”lei do pertencimento” também é válida para aquelas pessoas que foram prejudicadas em favor de alguém da família. Se por exemplo, um homem se divorcia para contrair um novo matrimônio, após uma separação “mal resolvida”, onde a ex mulher foi excluída por ele, a energia dessa exclusão pode atuar sobre os filhos do novo casal do homem.

Essa é uma dinâmica das mais comuns verificadas por Hellinger. Um filho se comporta de modo “inapropriado” tendo ciúmes de um dos pais, ou sendo tirano dentro de casa, porque pode estar sofrendo os efeitos daquela mãe que foi deixada de lado em favor da união dos pais. É quando a felicidade de alguém foi fruto da infelicidade de outro.


Esse “sofrimento” pode perdurar por gerações nos integrantes da família, até alguém fazer um movimento para que esse indivíduo excluído seja reconhecido e incluído novamente no sistema familiar.


Quando esses membros da família são reconhecidos é possível haver uma reconciliação pacífica entre todos. Esses momentos demandam uma grande coragem, pois exige dos membros de uma família, que superem seus julgamentos morais em favor da inclusão dos membros excluídos, pelo bem maior da família. Sendo aceitos novamente, eles ganham um espaço precioso no coração de seus membros. Dessa forma, todos podem voltar a sentir a paz que foi interrompida pelo acontecimento doloroso do passado.


O resultado individual é que um dos membros que carregava a sensação de não se sentir aceito em nenhum lugar, finalmente acaba. O sentimento de “voltar para casa” dentro de si é incrivelmente libertador e a felicidade se torna possível.


Ainda sobre esse tema do pertencimento, bert helinger acrescenta:


“Tudo aquilo de que me lamento ou queixo, quero excluir. Tudo aquilo a que aponto um dedo acusador, quero excluir. A toda a pessoa que desperte a minha dor, estou a exclui-la. Cada situação em que me sinta culpado, estou a exclui-la. E desta forma vou ficando cada vez mais empobrecido.


O caminho inverso seria: a tudo de que me queixo, fito e digo: sim, assim aconteceu e integro-o em mim, com todo o desafio que para mim isso representa. E afirmo: irei fazer algo com o que me aconteceu. Seja o que for que me tenha acontecido, tomo-o como a uma fonte de força.


É surpreendente o efeito que se pode observar neste âmbito. Quando integro aquilo que antes tinha rejeitado, ou quando integro aquilo que é doloroso para mim, ou que produz sentimentos de culpa, ou o que quer que me leve a sentir que estou a ser tratado de forma injusta, o que quer que seja… quando tento incorporar tudo isso, nem tudo cabe em mim. Algo fica do lado de fora. Ao consentir plenamente, somente a força é internalizada. Tudo o resto fica de fora sem me contaminar. Ao invés, desinfecta, purifica-me. A escória fica de fora, as brasas penetram no coração.”






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